O amor não cabe no quadro-negro do mundo,
mas insiste em ser desenhado
com giz de luz na parede do peito.
É uma conta feita de cores:
um azul que se soma ao silêncio,
um amarelo que multiplica risos,
um vermelho que pulsa
como um número vivo, sem forma.
Tento organizá-lo em linhas,
traçar seus limites com régua e razão —
mas ele escorre,
feito tinta fresca na palma da mão,
misturando tudo o que toca.
Há dias em que ele é soma de abraços,
crescendo como árvore em tarde de vento;
noutros, é subtração de certezas,
deixando o espaço livre
para o improvável florescer.
E quando penso que entendi,
ele muda o resultado:
divide o tempo,
multiplica instantes,
e transforma um segundo qualquer
em eternidade respirando devagar.
O amor é um cálculo que sonha,
uma equação que se escreve sozinha
nas margens do que sentimos.
E talvez sua única regra
seja esta:
não se resolve —
se contempla,
como quem olha o céu
e aceita que as estrelas
não precisam de resposta
para continuar brilhando.
-
Autor:
Sezar Kosta (
Offline) - Publicado: 4 de maio de 2026 11:13
- Comentário do autor sobre o poema: O amor não é algo que podemos medir ou encaixar em regras fixas; ele nasce e cresce dentro da gente como uma cor que transforma o silêncio em sorriso e o instante em eternidade. Tentamos organizar seus sentimentos como uma equação, mas ele sempre escapa, misturando certeza e dúvida, abrindo espaço para o inesperado florescer. No fundo, amar é aceitar que algumas coisas só existem para serem sentidas, não resolvidas, como o céu cheio de estrelas que brilham sem explicação.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Sezar Kosta, Luana Santahelena
- Em coleções: Meus Poemas de Amor.

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.