Sezar Kosta

A EQUAÇÃO MÁGICA DO AMOR

O amor não cabe no quadro-negro do mundo,

mas insiste em ser desenhado

com giz de luz na parede do peito.

 

É uma conta feita de cores:

um azul que se soma ao silêncio,

um amarelo que multiplica risos,

um vermelho que pulsa

como um número vivo, sem forma.

 

Tento organizá-lo em linhas,

traçar seus limites com régua e razão —

mas ele escorre,

feito tinta fresca na palma da mão,

misturando tudo o que toca.

 

Há dias em que ele é soma de abraços,

crescendo como árvore em tarde de vento;

noutros, é subtração de certezas,

deixando o espaço livre

para o improvável florescer.

 

E quando penso que entendi,

ele muda o resultado:

divide o tempo,

multiplica instantes,

e transforma um segundo qualquer

em eternidade respirando devagar.

 

O amor é um cálculo que sonha,

uma equação que se escreve sozinha

nas margens do que sentimos.

 

E talvez sua única regra

seja esta:

não se resolve —

se contempla,

como quem olha o céu

e aceita que as estrelas

não precisam de resposta

para continuar brilhando.