O amor não cabe no quadro-negro do mundo,
mas insiste em ser desenhado
com giz de luz na parede do peito.
É uma conta feita de cores:
um azul que se soma ao silêncio,
um amarelo que multiplica risos,
um vermelho que pulsa
como um número vivo, sem forma.
Tento organizá-lo em linhas,
traçar seus limites com régua e razão —
mas ele escorre,
feito tinta fresca na palma da mão,
misturando tudo o que toca.
Há dias em que ele é soma de abraços,
crescendo como árvore em tarde de vento;
noutros, é subtração de certezas,
deixando o espaço livre
para o improvável florescer.
E quando penso que entendi,
ele muda o resultado:
divide o tempo,
multiplica instantes,
e transforma um segundo qualquer
em eternidade respirando devagar.
O amor é um cálculo que sonha,
uma equação que se escreve sozinha
nas margens do que sentimos.
E talvez sua única regra
seja esta:
não se resolve —
se contempla,
como quem olha o céu
e aceita que as estrelas
não precisam de resposta
para continuar brilhando.