Companhia de toda a vida

Ellla

Ultimamente

tenho ido dormir abraçada à saudade,

jantado com ela,

brincado à tarde.

 

Ultimamente, ela me trouxe o orgulho.

Que diz seguir leis morais

Com isso ele me sufoca,

não me deixa voltar atrás.

 

Sento no sofá, serena.

Eles trazem a pipoca.

O passado volta e o futuro encena.

 

Eu, cética 

Porque em cena

é o que foi no que há de vir.

 

Meus ouvidos sangram, mesmo eu sendo eclética

à minha volta, ninguém está

e todos morrem de rir

Que música é essa

Pra zombar de que acredito no que vi 

 

E eu ali, sem aprender nada.

Só queria levar a vida

sem nada a perder.

 

Mas não é da minha natureza

juntar o bom ao ruim

e simplesmente esquecer.

 

Por isso está certa

Quando a saudade vem buscar o que é dela.

Na verdade,

nem sei se posso dizer.

 

 

É que depois que se perde,

Eu corro e junto as migalhas 

E ela lembra de me ver.

 

Não é pontual:

ontem não veio,

hoje me deixou mal.

 

Amanhã traz as irmãs,

some por um tempo,

volta em algumas manhãs.

 

E eu me contento

porque ainda a tenho nas mãos

Junto com as lembranças do que sobrou 

e as desculpas na garganta.

 

Ela vai morrer com o tempo.

Eu vou engolir as desculpas

Guardar as lembranças 

e emoldurá-las, então.

 

E retorna,

de novo e de novo.

 

Maldita emoção,

 

desses quadros novos,

vou ter o que nunca quis:

uma coleção.

 

 

  • Autor: Ella (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de maio de 2026 00:00
  • Comentário do autor sobre o poema: Eu perdi muitas pessoas que eu amava. Hoje de todos que me rodeiam, meus melhores amigos são a saudade e o orgulho. E pra eles fiz esse poema
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 1


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