Ultimamente
tenho ido dormir abraçada à saudade,
jantado com ela,
brincado à tarde.
Ultimamente, ela me trouxe o orgulho.
Que diz seguir leis morais
Com isso ele me sufoca,
não me deixa voltar atrás.
Sento no sofá, serena.
Eles trazem a pipoca.
O passado volta e o futuro encena.
Eu, cética
Porque em cena
é o que foi no que há de vir.
Meus ouvidos sangram, mesmo eu sendo eclética
à minha volta, ninguém está
e todos morrem de rir
Que música é essa
Pra zombar de que acredito no que vi
E eu ali, sem aprender nada.
Só queria levar a vida
sem nada a perder.
Mas não é da minha natureza
juntar o bom ao ruim
e simplesmente esquecer.
Por isso está certa
Quando a saudade vem buscar o que é dela.
Na verdade,
nem sei se posso dizer.
É que depois que se perde,
Eu corro e junto as migalhas
E ela lembra de me ver.
Não é pontual:
ontem não veio,
hoje me deixou mal.
Amanhã traz as irmãs,
some por um tempo,
volta em algumas manhãs.
E eu me contento
porque ainda a tenho nas mãos
Junto com as lembranças do que sobrou
e as desculpas na garganta.
Ela vai morrer com o tempo.
Eu vou engolir as desculpas
Guardar as lembranças
e emoldurá-las, então.
E retorna,
de novo e de novo.
Maldita emoção,
desses quadros novos,
vou ter o que nunca quis:
uma coleção.