Professor é ave que sobrevoa,
dando asas ao pensamento,
Pousando sobre as nuvens
Galopadas pelo vento.
Professor é chuva na foz de um rio,
é sombra na escuridão,
É um pedinte, nas esquinas
Nas ruas da ilusão.
Onde o seu grito
é sufocado por um zumbido
de um mosquito no infinito.
Professor é um viajante,
Sem permissão para andar,
Professor é um afluente
que não se encontra com o mar.
Andante sem rumo, sem direção
Maltrapilho, sem roupas,
de pés descalços no chão.
Aquele que o seu tempo
É dedicado
aos que não se dedicam.
Aquele que sua preocupação
É se preocupar
com os que não se preocupam.
Aquele que pouco dorme
Pensando
nos que dormem além da conta.
Aquele que anda mal vestido
Pensando em um bom vestuário
para os que não pensam.
Aquele que dá o seu máximo
Pensando naqueles
que se esforçam o mínimo do mínimo.
Aquele que organiza tudo
Pensando nos que pensam
pouco sobre organização.
Aquele que tira do pouco que ganha
Pensando em apenas
ganhar um prêmio
de um sorriso sincero de uma criança.
Aquele que planeja pro futuro
E mantém o seu orgulho,
sem perder a esperança.
-
Autor:
Salvador (
Offline) - Publicado: 2 de maio de 2026 20:13
- Categoria: Amor
- Visualizações: 41
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira, Sinvaldo de Souza Gino

Offline)
Comentários5
Parabéns poeta, linda homenagem... Um tributo!
Obrigado, essa poesia é um pedido de socorro.
Percebi... Neste tempo é o que pedimos como professor, mas se torma um grito mudo, ninguém ouve nossos apelos....
Que bela homenagem!
Abraços
Salvador
2 de maio de 2026 22:14
A poesia alivia, ameniza as dores sentidas na profissão.
Abraço, amigo poeta.
Receber um comentário seu em uma poesia minha é uma honra, meu amigo Shmuel.
Obrigado! Estamos juntos neste espaço criativo.
Excelente dia!
Bela e mais que merecida homenagem ao professor, esse idealista que ainda acredita no poder do saber e se imola no dia a dia da profissão, às vezes,tão inglória! Parabéns!
Boa noite poeta! Este é um poema carregado de dualidade, que transita entre a beleza da vocação e a dureza da realidade social do educador. O texto começa com imagens líricas e elevadas (ave que sobrevoa, asas ao pensamento), mas rapidamente mergulha em uma crítica melancólica sobre a desvalorização da profissão. O autor utiliza metáforas fortes para descrever o isolamento do professor: Imagens como o afluente que não encontra o mar ou o grito sufocado pelo zumbido de um mosquito traduzem a sensação de impotência e o sentimento de que o esforço docente muitas vezes parece se perder no vazio. A segunda metade do poema foca no contraste entre o dar-se e o receber. É o retrato de alguém que se desgasta (anda mal vestido, dorme pouco, ganha pouco) em prol de um outro que, muitas vezes, ainda não compreende o valor desse esforço. A resistência: O encerramento é o que sustenta a figura do professor. Apesar de ser descrito como um andante sem rumo ou maltrapilho, o poema termina com as palavras orgulho e esperança, sugerindo que a recompensa afetiva (o sorriso sincero de uma criança) é o que mantém a engrenagem girando, mesmo diante da precariedade. É um tributo que não romantiza a profissão de forma ingênua, mas que reconhece a sua nobreza diante do descaso. Abraço poético.
Boa noite poetisa Vilma Oliveira, comecei a admirar esse outro lado do mundo, mundo da poesia no dia em que um professor meu disse o que você escreveu pode virar poesia continue eu continuei e anos depois participei de um concurso de poesia oferecido pela secretaria de educação da cidade e consegui ganhar em primeiro lugar com uma poesia que fala da cidade onde vivo... Voltando a essa poesia que fiz do professor, fiquei muitíssimo surpreso com a fiel interpretação do eu lírico que você descobriu que até eu confesso que não conseguiria deixar tão explicado as entrelinhas dessa poesia... show de interpretação, maravilha!!!
Um milhão de abraços poéticos.
Parabéns, poeta ficou lindo a sua homenagem ao professor por meio de um belo poema!
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