Quando mais jovem, eu chorava por não ter amigos.
Chorava por ser considerada uma pessoa chata.
Quando mais jovem, não conseguia olhar nos olhos de ninguém sem que a ansiedade me consumisse.
Então, olhava para os pés — nunca acima dos joelhos.
Quando mais jovem, multidões sempre foram meu ponto fraco.
Desde cedo, me importei demais com o que pensavam de mim.
E isso sempre me afetou.
Agora, um pouco mais velha, já não me importo tanto.
Não há como destruir algo que já está quebrado.
Afinal, para que foram feitas as madrugadas?
E as ruas escuras e vazias?
Para que existem os lugares onde não há ninguém?
E todo esse silêncio…
Foram feitos para mim?
É na madrugada que encontro a ausência,
E, sozinha, posso finalmente sentir
a paz e a solidão
que já não me machucam mais.
Gosto de sair quando todos já estão em suas casas.
Gosto do silêncio, do vento…
e de correr.
Correr sem rumo,
até que meus pulmões não suportem mais,
até que o mundo desapareça
e reste apenas eu.
Não quero que me vejam.
Quero ser sentida.
Queria poder cuidar de todas as pessoas que carregam dores invisíveis,
protegê-las dos próprios demônios,
confortá-las…
e fazê-las sentir que são alguém.
Porque eu sei como é.
Quando estou sozinha,
a vida parece, enfim, valer a pena.
Durante o dia,
a vida é apenas suportada.
As madrugadas foram feitas para estar acordada.
Os dias, para adormecer.
Já são 7h.
A madrugada se despede.
Agora, é minha vez de dormir.
Boa noite, caro leitor.
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Autor:
Celina (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 2 de maio de 2026 07:00
- Comentário do autor sobre o poema: Entre o barulho do mundo e o silêncio da madrugada, esta é uma prosa sobre não pertencimento, ansiedade e o encontro com uma paz solitária, escrita na ausência de tudo — onde encontrei um pouco de mim.
- Categoria: Triste
- Visualizações: 1

Offline)
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