Vago, absorto,
Sinto caminharem as almas
Entre as negras pedras,
E a escuridão espalma
As tortas mãos
Por entre o azul das pegas
Esvoaçantes entre os matizes
Invernais de Vega.
E logo as almas, loucas de desejos,
Entre estas mãos e outras mais navegam...
Tolo, ignoto,
Só a paixão carrego...
Sem o conforto do luar trafego
No mar escuro
De espumas mortas;
E o cintilar da noite
É tudo que importa,
Penetra frestas
Do rubor da morte
E as noites estas
E outras dão suporte
Aos quase dias,
Ilusões de Sol
Das carruagens e escunas mágicas,
Estonteantes, fulgurantes réplicas
De seculares páginas
Em Elêusis mortas...
Ávido, pálido,
Resignado à escuridão do medo,
A solidão, a mim, só eu concedo
E do quietismo me desprendo
E cedo
A exalar – enfim... - desassossego...
-
Autor:
G. Mirabeau (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 29 de abril de 2026 14:01
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: CoucherduSoleil, Vilma Oliveira

Offline)
Comentários1
Boa noite poeta! Este poema é carregado de simbolismo e hermetismo, evocando uma atmosfera de sonho (ou pesadelo) místico. Mergulha na metafísica e no pessimismo clássico. Aura Mitológica: A menção a Elêusis (referência aos mistérios da Grécia Antiga) e à estrela Vega transporta o sofrimento do autor para uma escala cósmica e histórica. O eu lírico navega em um mar escuro de espumas mortas, onde a única luz que resta é um cintilar que penetra o rubor da morte. É uma beleza sombria e decadente. O fechamento com o termo desassossego e a frase a solidão, a mim, só eu concedo revela um espírito que abraça a própria melancolia como uma forma de destino inevitável. É uma obra densa, que lembra a atmosfera de autores como Cruz e Sousa ou Fernando Pessoa (Bernardo Soares). Meu abraço poético.
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