G. Mirabeau

ELÊUSIS

Vago, absorto,

Sinto caminharem as almas

Entre as negras pedras,

E a escuridão espalma

As tortas mãos

Por entre o azul das pegas

Esvoaçantes entre os matizes

Invernais de Vega.

E logo as almas, loucas de desejos,

Entre estas mãos e outras mais navegam...

 

Tolo, ignoto,

Só a paixão carrego...

Sem o conforto do luar trafego

No mar escuro

De espumas mortas;

E o cintilar da noite

É tudo que importa,

Penetra frestas

Do rubor da morte

E as noites estas

E outras dão suporte

Aos quase dias,

Ilusões de Sol

Das carruagens e escunas mágicas,

Estonteantes, fulgurantes réplicas

De seculares páginas

Em Elêusis mortas...

 

Ávido, pálido,

Resignado à escuridão do medo,

A solidão, a mim, só eu concedo

E do quietismo me desprendo

E cedo

A exalar – enfim... - desassossego...