De pés descalços ao anoitecer

Antonio Luiz

tem mato que é feito espião de sereno

de verde capaz de fechar a boca da noite

na hora do dia que sorri mais festiva e sã

quando a estrelinha apressada diz o ahã

 

é ali que a água se molha ao acarar o rio

sem que desvende o seu  úmido  mistério

se é por timidez ou por  tamanho  desejo

e o vento finge que sabe de  muito  pouco

que é pra não contar vantagens às folhas

 

há um desbarulho mastigando sementes

como quem  rumina  pequenas  promessas

com o cuidado de não despertar as raízes

e as veredas buscando em si  alguma  luz

pra não inventarem caminhos de engano

 

o grilo afina as asas pra valsa de violino

e as pererecas pedem mais  uma  rodada

não é estranho esse todo feito  do  nada

quando a cigarrinha  pita  seu  cigarrinho

não é só mais um inseto fazendo fumaça

 

– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 29/04/26 –

  • Autor: Antonio Luiz (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de abril de 2026 12:40
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.