tem mato que é feito espião de sereno
de verde capaz de fechar a boca da noite
na hora do dia que sorri mais festiva e sã
quando a estrelinha apressada diz o ahã
é ali que a água se molha ao acarar o rio
sem que desvende o seu úmido mistério
se é por timidez ou por tamanho desejo
e o vento finge que sabe de muito pouco
que é pra não contar vantagens às folhas
há um desbarulho mastigando sementes
como quem rumina pequenas promessas
com o cuidado de não despertar as raízes
e as veredas buscando em si alguma luz
pra não inventarem caminhos de engano
o grilo afina as asas pra valsa de violino
e as pererecas pedem mais uma rodada
não é estranho esse todo feito do nada
quando a cigarrinha pita seu cigarrinho
não é só mais um inseto fazendo fumaça
– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 29/04/26 –