BROTO DE AGONIA

G. Mirabeau

Broto de Esperança,

Quem te fez criança?

Que te fez ousar

Onde mar não alcanças?

Quem te fez amar?

Por que sempre avanças?...

 

Ponto de Agonia,

Quero a rebeldia e a violência,

Quero a quintessência

Pois perdi a infância,

Pois perdi da infância

Tantos os instantes

Que vieram antes

Nesta consciência...

 

Alma de Criança,

Dê-me a incoerência

Da felicidade,

Da incompreensão...

Dê-me a covardia

Da noite e do dia

E me esconda sempre

Entre duas faces:

Uma a fantasia

E nunca cessasse,

Só com poesia

O fogo lavasse

E a vida seria

Viver face a face

À quietude da tarde

E à dor que passasse...

 

Fogo da Razão,

Por que tanta vida?...

Mais rubra é a cor

Da morte devida

A quem se exilou

Na eterna partida,

Guardando no sal

Os amargos sentidos

Do tempo final

E dos sóis desvalidos...

 

Broto de Esperança,

Um homem é a vida

Se tem a partida

Na alma e na lança

E mesmo voltando

Pressente que avança,

E mesmo morrendo

Se sente criança...

 

Broto da Razão,

Não me diga nada!

Esconda a adaga

No fio da vida,

Oculte e verdade

No vau das saudades,

Naufrague nos mares

E os mares esconda

Em nuvens ancilares

De luzes sem sombras.

As sombras exponha

Ao sul dos olhares

Dos que nunca sonham

Nem crêem em azares...

 

Broto de Criança,

Quem te fez razão?...

Quem te fez ousar

Não ter esperança?

Por que de agonia

O mar já alcanças?...

  • Autor: G. Mirabeau (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 27 de abril de 2026 19:08
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2


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