Broto de Esperança,
Quem te fez criança?
Que te fez ousar
Onde mar não alcanças?
Quem te fez amar?
Por que sempre avanças?...
Ponto de Agonia,
Quero a rebeldia e a violência,
Quero a quintessência
Pois perdi a infância,
Pois perdi da infância
Tantos os instantes
Que vieram antes
Nesta consciência...
Alma de Criança,
Dê-me a incoerência
Da felicidade,
Da incompreensão...
Dê-me a covardia
Da noite e do dia
E me esconda sempre
Entre duas faces:
Uma a fantasia
E nunca cessasse,
Só com poesia
O fogo lavasse
E a vida seria
Viver face a face
À quietude da tarde
E à dor que passasse...
Fogo da Razão,
Por que tanta vida?...
Mais rubra é a cor
Da morte devida
A quem se exilou
Na eterna partida,
Guardando no sal
Os amargos sentidos
Do tempo final
E dos sóis desvalidos...
Broto de Esperança,
Um homem é a vida
Se tem a partida
Na alma e na lança
E mesmo voltando
Pressente que avança,
E mesmo morrendo
Se sente criança...
Broto da Razão,
Não me diga nada!
Esconda a adaga
No fio da vida,
Oculte e verdade
No vau das saudades,
Naufrague nos mares
E os mares esconda
Em nuvens ancilares
De luzes sem sombras.
As sombras exponha
Ao sul dos olhares
Dos que nunca sonham
Nem crêem em azares...
Broto de Criança,
Quem te fez razão?...
Quem te fez ousar
Não ter esperança?
Por que de agonia
O mar já alcanças?...