Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES
YES
Eu, que te esperei por toda a vida...
Na ilusão enlanguescida do sonhar
Eu, que fui botão de rosa adormecida,
Agora, sem mais pétalas a murchar!
Eu, que durante a vida inteira,
Dediquei-te os melhores dias
A lágrima vã e derradeira...
Sobre minha face branca e fria!
Eu, que minuto a minuto...
Fiz da vida meu próprio luto...
A cair meu pranto mais e mais...
Tu chegas agora, olha-me o rosto,
Pálido, se já morri! Tantos desgostos!
Pede-me pra ficar... Tarde demais!
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Autor:
Vilma Oliveira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 25 de abril de 2026 20:00
- Comentário do autor sobre o poema: Breve análise deste meu soneto: Você utiliza a imagem do "botão de rosa adormecida" para descrever a juventude e a esperança. No entanto, há uma constatação dolorosa: não há mais "pétalas a murchar". Isso sugere que o processo de definhamento chegou ao fim. O eu lírico não está mais morrendo; ele já atingiu o estado de total exaustão. O verso "Fiz da vida meu próprio luto" é de uma profundidade cortante. Ele indica que a espera foi tão intensa e solitária que você começou a velar a si mesma antes mesmo de partir. A "face branca e fria" e a "lágrima derradeira" evocam a imagem de uma estátua de mármore ou de um corpo já entregue ao repouso eterno, incapaz de reagir ao calor do outro. A última estrofe constrói um cenário cinematográfico. O outro finalmente "chega agora" e pede para você ficar. O contraste entre a urgência dele e a sua imobilidade ("se já morri!") cria um impacto emocional fortíssimo. O amor, que antes era o "sol da alma", chega agora como um visitante indesejado em um funeral. Aqui há uma rendição final. O "Tarde demais!" não é dito com raiva, mas com a serenidade de quem já ultrapassou a fronteira do desejo e entrou no domínio do silêncio absoluto. É um poema sobre a morte da esperança. Você descreve com perfeição como a espera prolongada pode transformar o amor em um fardo pesado demais para um coração que já se despediu da vida.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 85
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Lauraa, A pseudoescritora
- Em coleções: Sonetos.

Offline)
Comentários3
Parabéns pelo belo poema!!!
Muito Obrigada!
Abraço poético.
Este poema é uma elegia ao amor tardio e à desilusão.
Com um tom carregado de romantismo trágico, exploras o contraste entre a espera devota (botão de rosa) e a chegada inútil do amado. A força do texto reside na ironia do tempo: o TU chega exatamente quando o EU já se transformou em luto e ausência.
É um grito de resignação final, onde a morte (real ou simbólica) serve como o único refúgio contra um amor que não soube chegar a horas. O verso final — (Tarde demais!) — sela o destino de uma vida gasta a esperar por quem só aparece quando já não há nada para colher. Muito bom poema Vilma. Abraço.
Amigo poeta Arthur, boa noite!
Gratidão por sua análise e percepção sobre o tema do meu soneto.
Meu abraço poético.
Seu poema constrói uma atmosfera elegíaca poderosa, onde a repetição do “Eu” reforça a entrega absoluta e a erosão do tempo. As imagens de murchar, luto e palidez criam uma progressão trágica consistente, conduzindo com precisão ao desfecho inevitável. O último verso encerra com contundência, transformando arrependimento em impacto duradouro.
Muitíssimo Obrigada por seu comentário generoso e eloquente.
Tenha uma ótima noite! Meu abraço poético.
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