Vilma Oliveira

TARDE DEMAIS!

Eu, que te esperei por toda a vida...

Na ilusão enlanguescida do sonhar

Eu, que fui botão de rosa adormecida,

Agora, sem mais pétalas a murchar!

 

Eu, que durante a vida inteira,

Dediquei-te os melhores dias

A lágrima vã e derradeira...

Sobre minha face branca e fria!

 

Eu, que minuto a minuto...

Fiz da vida meu próprio luto...

A cair meu pranto mais e mais...

 

Tu chegas agora, olha-me o rosto,

Pálido, se já morri! Tantos desgostos!

Pede-me pra ficar... Tarde demais!