sem forma:
Paredes tortas me viram nascer,
ruas longas me ensinaram a andar.
Espelhos quebrados não sabem dizer
quem sou quando tento me nomear.
Tapetes sujos guardam meus passos,
mas não dizem do que sou feita.
Filha de mãe e pai, laços e abraços,
amor de um, amizade desfeita e refeita.
Querida por tantos, mas quem sou eu
se tirarem os nomes que me deram?
Meu rosto é passageiro, o teu também,
e o tempo leva tudo que escreveram.
Então guarda isso: minha presença,
minha energia que fica contigo.
Sou mais que matéria, mais que crença,
mais que o além onde abrigo.
Sou o branco limpo depois da chuva,
borboletas que dançam sem direção.
Sou cheiro de pão quando a fome é crua,
sou vento que acalenta em noite de luar e chão.
Leitor, leva minhas palavras se quiser,
ou deixa que se percam no esquecimento.
Não é sobre parecer, nem sobre ser.
É sobre existir, mesmo sem documento.
Se existo, não preciso de forma,
nem de rosto, nem de contorno, nem de ar.
Basta o sentir que não se conforma
e que teima em continuar.
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Autor:
Lhidria, a rosa rubra. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 23 de abril de 2026 20:01
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 29
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira, Ultracrepidário
- Em coleções: Melancólia e cafeína..

Offline)
Comentários3
Boa noite poetisa! A autora começa desconstruindo as definições externas. Ela cita a casa (paredes tortas), a linhagem (filha de mãe e pai) e os nomes recebidos, mas conclui que nada disso define sua essência. O verso: quem sou eu se tirarem os nomes que me deram? É o coração da obra, sugerindo que somos condicionados a nos enxergar apenas através dos olhos dos outros e do passado. Há um forte contraste entre o que é sólido (espelhos, tapetes, rostos) e o que é fluido (energia, vento, cheiro de pão). A autora argumenta que a matéria é passageira e o tempo leva tudo. Para ela, a identidade real não está no que se pode tocar ou documentar, mas na percepção sensorial e na energia que deixamos nas pessoas. No fechamento, o poema atinge uma nota de libertação. Ao dizer que a existência não precisa de forma, a autora desobriga o ser de se encaixar em moldes. O ato de existir é reduzido ao puro sentir e à resiliência (o sentir que não se conforma). É um convite ao leitor para valorizar a experiência de estar vivo acima das aparências ou títulos formais. Parabéns por seu poema! Saudações poéticas.
Muito obrigada minha inspiradora poetisa!
Agradeço seu reconhecimento pelas minhas palavras.
Um cheiro,
Lhidria.
Esse texto ficou extremamente bom.
Muito obrigada pela atenção!!
Fico feliz que tenha gostado, adoro seus poemas!
Um cheiro,
Lhidria.
Um poema profundo, verdadeiro, que nos convida a refletir sobre a real essência humana.
Parabéns, Lauraa!
Por tantas verdades ditas através de seus versos.
Um beijo em seu coração.
Querida Maria Socorro, muito obrigada pelo carinho e tal atenção, fico muito grata, desejo a ti o melhor dos sucessos!
Um cheiro,
Lhidria.
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