(Lucien Vieira)
Assim como o admirável Manoel de Barros —
gênio do “Inutensílio” —
também tenho um “lugar de ser inútil”.
Nele,
invento as minhas viagens do desver,
onde estrago o ócio
com as cantigas de ninar, o deslabor.
E me retiro da mira dessa serpente
que sustenta os pregos do ego.
Mas, longe disso,
o meu quintal —
cercado por muros enfermos,
tortos, desrebocados, em ruína —
é apenas o meu pequeníssimo mundo:
não é mundo.
Sou estado de semente,
deitado no solo molhado da razão,
apodrecendo para nascer.
Nascer das histórias transcritas
nas paredes sujas destas ruas,
entre morros de monturos malcheirosos
e chorumes,
que turvam o olhar do belo que há
deste lado de cá.
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Autor:
Lucien Vieira (
Offline) - Publicado: 22 de abril de 2026 15:25
- Comentário do autor sobre o poema: O poema afirma que transformar-se exige decompor-se. Ao abandonar o ego e a lógica do útil, o sujeito se refaz como “semente” e retorna ao mundo com um olhar capaz de tensionar degradação e beleza — mesmo quando esta aparece turvada (IA).
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 4

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