Quando a morte morrer
quem virá reclamar o silêncio?
Quem recolherá os cacos
que deixamos cair pelo caminho?
Quando a morte morrer
o escuro perderá seu ofício
e a noite não será mais fundo
mas apenas outra forma de ver
Quando a morte morrer
os segundos deixarão de ir
e o tempo, desobediante
se espalhará pelo chão do mundo
Quando a morte morrer
os cemitérios virarão jardins sem nomes
e ninguém mais precisará aprender
o idioma do adeus
Quando a morte morrer
seremos vastos demais
a aprender devagar
como caber no infinito
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Autor:
joaquim cesario de mello (
Offline) - Publicado: 20 de abril de 2026 18:41
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 17
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz, Sinvaldo de Souza Gino

Offline)
Comentários1
Boa noite poeta! O poema subverte a ideia da morte como o grande final. Ao personificá-la e sugerir que ela mesma pode morrer, propõe um estado de existência onde o medo e a separação deixam de existir. O trecho: os segundos deixarão de ir / e o tempo, desobediente / se espalhará pelo chão do mundo sugere que, sem o limite da morte, o tempo perde sua função linear e opressora. Ele deixa de ser uma contagem regressiva para se tornar uma presença vasta e estática. A transformação de cemitérios em jardins retira o peso do luto e do rótulo da perda. O fim da morte implica o fim da despedida. O autor sugere que a comunicação humana será baseada na presença eterna, eliminando a necessidade de aprender a dizer adeus. Na última estrofe, o poema toca no sublime: Seremos vastos demais / a aprender devagar / como caber no infinito. A vida eterna não é apresentada como algo fácil ou imediato, mas como um aprendizado de expansão da própria alma para preencher um espaço que antes era limitado pela mortalidade. Meu abraço fraterno.
Belo comentário e interpretação, Vilma. Muito obrigado pela gentileza
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