Quando a morte morrer
quem virá reclamar o silêncio?
Quem recolherá os cacos
que deixamos cair pelo caminho?
Quando a morte morrer
o escuro perderá seu ofício
e a noite não será mais fundo
mas apenas outra forma de ver
Quando a morte morrer
os segundos deixarão de ir
e o tempo, desobediante
se espalhará pelo chão do mundo
Quando a morte morrer
os cemitérios virarão jardins sem nomes
e ninguém mais precisará aprender
o idioma do adeus
Quando a morte morrer
seremos vastos demais
a aprender devagar
como caber no infinito