Há um mapa escondido em cada silêncio,
dobrado entre o que se diz e o que se cala,
linhas que não pertencem a nenhum papel
mas cortam a alma como rios antigos.
Eu caminhei por dentro das horas partidas,
onde o tempo não tem relógio nem piedade,
e vi que toda dor aprende a se disfarçar
de destino quando ainda não virou memória.
O mundo insiste em parecer definitivo,
mas tudo que existe respira transformação;
até as certezas mais duras se desfazem
quando o olhar aprende a escutar o invisível.
Há verdades que não cabem em discursos,
nem em aplausos, nem em prêmios, nem em nome,
elas só existem quando ninguém está olhando
e mesmo assim continuam sendo verdade.
E no fim, descobri que não se vence a vida —
apenas se atravessa com o peito aberto,
carregando o que foi quebrado como bússola
apontando sempre para o que ainda não nasceu.
— Anderson Del Duque
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Autor:
Anderson Del Duque (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 20 de abril de 2026 07:12
- Comentário do autor sobre o poema: Este poema é uma reflexão sobre a condição humana e a forma como lidamos com a dor, o tempo e as transformações da vida. Ele não busca contar uma história tradicional, mas revelar percepções internas: aquilo que não é dito, mas sentido. A mensagem central é que nada na vida é totalmente fixo — nem a dor, nem as certezas, nem as vitórias. Tudo passa por mudança, e até os momentos difíceis podem se transformar em aprendizado e direção. O poema também sugere que viver não é controlar o destino, mas atravessar a existência com consciência, aceitando as perdas e usando cada experiência como parte do crescimento. Em vez de respostas prontas, ele oferece perguntas e sensações, convidando o leitor à introspecção. Em resumo: é um convite para enxergar a vida como transformação contínua, onde até o que quebra pode se tornar caminho.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 1
- Em coleções: Arquitetura do Invisível.

Offline)
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