Anderson Del Duque (Anderson)

Cartografia do Invisível

Há um mapa escondido em cada silêncio,
dobrado entre o que se diz e o que se cala,
linhas que não pertencem a nenhum papel
mas cortam a alma como rios antigos.
Eu caminhei por dentro das horas partidas,
onde o tempo não tem relógio nem piedade,
e vi que toda dor aprende a se disfarçar
de destino quando ainda não virou memória.
O mundo insiste em parecer definitivo,
mas tudo que existe respira transformação;
até as certezas mais duras se desfazem
quando o olhar aprende a escutar o invisível.
Há verdades que não cabem em discursos,
nem em aplausos, nem em prêmios, nem em nome,
elas só existem quando ninguém está olhando
e mesmo assim continuam sendo verdade.
E no fim, descobri que não se vence a vida —
apenas se atravessa com o peito aberto,
carregando o que foi quebrado como bússola
apontando sempre para o que ainda não nasceu.
— Anderson Del Duque