No princípio era a escuridão
foi divertido ver a luz aprisionada na escuridão
no tempo não coincidia o mesmo interesse
não havia medo e os porquês tão pouco permaneciam
não havia respostas porque não sobreviviam as perguntas
nada era incerto onde o certo não havia
e veio a ocupação quando os olhos se abriram
estive tão bem por um período sem saber sobre a dor
logo veio o eu e com ele vieram as dúvidas
do certo nada se soube
da luz nada se via
um tatear sem nenhuma certeza na busca que viivia
uma dor que me fez deitar
e ninguém mais me conhecia
foi então que no final pude compreender
a luz que queria já estava em mim
ocultada nas entrenhas
depois de tanto ranger descobri quem sofria
era o eu que tudo tinha e nada sabia
a luz resplandeceu num imenso céu
sem as convenções que o eu idealizou
apreço vestido com uma consciência sem nome
a viagem ganhou outro rumo
no chão meus pés caminhavam
surgiu o brilho encoberto que sempre existiu
a escuridão não pilhava pela fresta da incerteza
todo o tempo esteve dentro de mim
a volta da compreensão já não tardou
a alegria vinha dele
do sol que sempre existiu
meus olhos se ergueram
meus passos ficaram firmes
na certeza inalada pelas narinas
era o sinal que o alvo estava por perto
toda dependência caiu em terra úmida
desse cair nasceram os frutos de uma clara existência
como o filho que volta depois de uma longa jornada
era eu de novo ressurgindo da extensa reclusão
mais um passo de volta pra casa
muito pequeno esse passo
mas já sabia sobre o caminho
já podia sentir o perfume das flores
as cores da nova jornada brilhavam sob o raio da luz intuida
onde as perguntas não mais cabiam
meu contentamento era gigante
nada para traz levou meu olhar
para frente uma história chamando de volta o relegado brilho
nesse sorriso permanente vi primeiro meu pai feliz
com seus braços fortes estendidos
em sua mão uma flor
uma flor que jamais vira
a flor era uma rosa de brilho vermelho
e a rosa era minha mãe
por detraz
uma corrente de gente que viveu como eu adormecido
parecia que todos queriam me abraçar
como se abraça o pródigo
era eu generoso sem saber que era tão bom
andava perdido de um amor nunca visto
as lágrimas vertiam não como a tristeza de antes
acrescentava uma emoção genuína
pelo encontro dos corações apartados
o encontro da pátria perdida
estava com todos que também era eu
em pedaços divididos espraiados a espera da corrente navegável
levantei desperto na madrugada
foi lindo esse meu sonho
meu dia despertou com passos rápidos
fui na venda comprar o peixe que não pesquei
achei alfaces robustas e alhos compatíveis
voltei para o mundo com o olhar diferente
o dia era quente
e esse dia de calor era intenso e forte
como forte era eu
gastei tudo que não tinha para dar a mim e a todos o que sempre quis
nada disso foi mais revelador que as horas insones
nasceu de mim um novo e esquecido ser
um novo mote
um novo norte
uma nova sorte
com o sorriso presente e os passos firmes
caminhei sorrateiramente
ninguém via meu caminhar diferente
e eu sentia a leveza alegre do caminhar
flutuei entre os semáforos no asfalto quente
todo o calor que sentia por dentro vinha do sonho que sonhei
nada que vivi foi tão maior que a rosa vermelha
nada foi mais forte que os braços de meu pai
voltei para casa e deitei no mesmo sonho insistente
foi tudo que pude expressar
em um gesto que só meu corpo pôde perceber
em um entendimento que só minha alma percebia
o mundo estava igual
o que havia em mim trazia a igualdade do mundo
mesmo num lampejo
era pura a realidade desconhecida
tal a figuração de um sonho
que transformou meu dia
em um dia de amor sincronizado
a espera de outros sonhos que jamais sonhei
mesmo perdidas as horas de dormir
nessa perca eu me reencontrei
com os sonhos tão reais como o calor do próximo dia
foi só um sonho que sonhei
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Autor:
jairjunior (
Offline) - Publicado: 19 de abril de 2026 21:58
- Comentário do autor sobre o poema: desperto de um sonho caminhei pela madrugada e encontrei o que já tinha encontrado e pouco sabia desse encontro
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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