Ao som da valsa e da poesia
Velas e ruas quebrantadas
Horizonte esverdeado, aquarela sem ardor
Pontes estreitas e prédios incrivelmente grandes
Batidas e músicas sem sentindo, sem sabor aos ouvidos
Há quem diga que as cores e as estações do agora são melhores
Havia vista celestial das estrelas, que hoje escondidas são pela fumaça e pelo breu das fábricas e poluições
Havia beleza no ontem
Na valsa dançada
No piano tocado
No conhaque bebido e no charuto fumado
No terno vestido
As molduras das casas, os quadros pintados à mão, a escultura encomendada...
Quando tudo isso começou a ficar tão simples, tão sem cor?
Quando? Em qual momento as coisas mais superficiais brotaram e floresceram de maneira permanente?
Quando a poesia e o romance escrito foram esquecidos em uma gaveta e trancados foram à 7 chaves?
Ah! Se soubessem o apreço e o valor de cada nota de um bom pianista, um concertista... que ecoados lindamente são ao ouvido de um gentil homem e... Ah! A dança dançada pela a mais bela mulher, naquele esplendido vestido da cor âmbar, misturado ao carpete vermelho que pisoteado foi pelo cavalheiro delicado e romântico, ao vê-lo tocá-la com tamanha graça e gentileza a cintura daquela bela mulher.
Concedida a dança foi. Mas não o beijo.
Que fora dado apenas ao altar, depois de centenas de cartas escritas à mão e entregues por um pombo ou menininho com sua pequena boina à cabeça e sua bicicleta
Quanta belezura havia ao caminhar ao entardecer, naquele jardim encantado por garças ao mar e pássaros rodopiando e tagarelando nas mais bem cuidadas árvores
Acho eu que acordara de um lindo e belo sonho, um sonho vívido e lindo que eu não pudera retornar, não por enquanto...
Não enquanto hei de vivê-la por uma última vez...Uma última vida...
Autoria: GabrielMaria
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Autor:
Biel (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 19 de abril de 2026 17:47
- Categoria: Carta
- Visualizações: 3

Offline)
Comentários1
Olá poeta! Boa noite! O texto estabelece uma oposição entre o agora (fumaça, poluição, músicas sem sentido, prédios gigantes) e o ontem (valsas, ternos, cartas à mão). O presente é descrito como sem ardor e sem cor, enquanto o passado é uma aquarela vibrante e cheia de rituais. Há uma valorização extrema da forma e do esforço. A beleza não era gratuita: ela estava na escultura encomendada, no vestido cor âmbar e na técnica do concertista. O poema sugere que a modernidade trocou a profundidade artística pela superficialidade permanente. O ápice da nostalgia reside na preservação do pudor e da conquista. A imagem do beijo concedido apenas no altar, após centenas de cartas escritas à mão, resgata um tempo onde o tempo de espera agregava valor ao sentimento. O desfecho revela que essa visão era um sonho vívido. O eu lírico sente-se um exilado no presente, expressando o desejo melancólico de viver uma última vida naquela época de ouro que a fumaça das fábricas agora esconde. Em suma, é uma crítica à industrialização da alma e à perda da delicadeza nas relações humanas e na paisagem urbana. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas.
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