Gabrielmaria

Ao som da valsa e e da poesia

Ao som da valsa e da poesia

 

Velas e ruas quebrantadas

 

Horizonte esverdeado, aquarela sem ardor

 

Pontes estreitas e prédios incrivelmente grandes

 

Batidas e músicas sem sentindo, sem sabor aos ouvidos

 

Há quem diga que as cores e as estações do agora são melhores 

 

Havia vista celestial das estrelas, que hoje escondidas são pela fumaça e pelo breu das fábricas e poluições 

 

Havia beleza no ontem 

 

Na valsa dançada

 

No piano tocado

 

No conhaque bebido e no charuto fumado 

 

No terno vestido

 

As molduras das casas, os quadros pintados à mão, a escultura encomendada... 

 

Quando tudo isso começou a ficar tão simples, tão sem cor? 

 

Quando? Em qual momento as coisas mais superficiais brotaram e floresceram de maneira permanente? 

 

Quando a poesia e o romance escrito foram esquecidos em uma gaveta e trancados foram à 7 chaves? 

 

Ah! Se soubessem o apreço e o valor de cada nota de um bom pianista, um concertista... que ecoados lindamente são ao ouvido de um gentil homem e... Ah! A dança dançada pela a mais bela mulher, naquele esplendido vestido da cor âmbar, misturado ao carpete vermelho que pisoteado foi pelo cavalheiro delicado e romântico, ao vê-lo tocá-la com tamanha graça e gentileza a cintura daquela bela mulher.

 

Concedida a dança foi. Mas não o beijo.

 

Que fora dado apenas ao altar, depois de centenas de cartas escritas à mão e entregues por um pombo ou menininho com sua pequena boina à cabeça e sua bicicleta

 

Quanta belezura havia ao caminhar ao entardecer, naquele jardim encantado por garças ao mar e pássaros rodopiando e tagarelando nas mais bem cuidadas árvores

 

Acho eu que acordara de um lindo e belo sonho, um sonho vívido e lindo que eu não pudera retornar, não por enquanto...

Não enquanto hei de vivê-la por uma última vez...Uma última vida...

 

Autoria: GabrielMaria