Se eu chegasse um sopro —
nem toque,
só a sombra da intenção —
alguma coisa diria sim
— o ar, a luz, a costura do instante —.
Mas existe uma fronteira
sem nome nem matéria,
um fio de vidro sem espessura
entre a minha mão
e a linha viva da sua boca.
Estamos perto demais
para caber no de repente,
e distantes no ponto exato
em que o desejo
aprende a não atravessar.
Nossos passos ensaiam
o mesmo destino —
e recuam, domesticados,
como se alguém ainda segurasse
a coleira do momento.
E eu aqui,
no meio do gesto que não termina,
querendo só
errar o limite
até você.
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Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 19 de abril de 2026 13:39
- Categoria: Amor
- Visualizações: 21

Offline)
Comentários1
Intensos e profundos versos, seu lirismo e sensibilidade são marca constante, parabéns! Como sempre, amei ler você poeta!
Abraço,
ania
Querida poeta Ania, Saúde e paz! Talvez a poesia tenha justamente esse destino silencioso: fazer com que versos se reconheçam ...e seus autores se encontrem. Recebo suas palavras com gratidão e afeto. E quem sabe, em algum desvio bonito do tempo, nossos versos se cruzem — numa página esquecida, numa madrugada insone, ou naquele instante raro em que a sensibilidade encontra abrigo em outro coração.
Até lá, seguimos escrevendo o inexplicável. Igualmente agradecido pela visita sempre ilustre. Abraços poéticos e com carinho.
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