Se eu chegasse um sopro —
nem toque,
só a sombra da intenção —
alguma coisa diria sim
— o ar, a luz, a costura do instante —.
Mas existe uma fronteira
sem nome nem matéria,
um fio de vidro sem espessura
entre a minha mão
e a linha viva da sua boca.
Estamos perto demais
para caber no de repente,
e distantes no ponto exato
em que o desejo
aprende a não atravessar.
Nossos passos ensaiam
o mesmo destino —
e recuam, domesticados,
como se alguém ainda segurasse
a coleira do momento.
E eu aqui,
no meio do gesto que não termina,
querendo só
errar o limite
até você.