Oswaldo Jesus Motta

A poucos metros

Se eu chegasse um sopro —

nem toque,

só a sombra da intenção —

alguma coisa diria sim

— o ar, a luz, a costura do instante —.

Mas existe uma fronteira

sem nome nem matéria,

um fio de vidro sem espessura

entre a minha mão

e a linha viva da sua boca.

Estamos perto demais

para caber no de repente,

e distantes no ponto exato

em que o desejo

aprende a não atravessar.

Nossos passos ensaiam

o mesmo destino —

e recuam, domesticados,

como se alguém ainda segurasse

a coleira do momento.

E eu aqui,

no meio do gesto que não termina,

querendo só

errar o limite

até você.