FIGURAS DE LINGUAGEM

Arlindo Nogueira

“O amor é fogo que arde sem se ver”

Tal qual fora nenúfares de Monet

Das pinturas ao ar livre ou ateliê

O champanhe era servido de luva

Se bebia se pintava o sete na curva

No livro de orelha se lia centenas

Histórias de Saara e da quarentena

Enquanto caia o doce som da chuva

 

 Há alguém morrendo de pensar

De alguém que viajara no Titanic

Só há Titãs da mitologia cientifica

Daquele naufrágio sem passaporte

São cenas não bonitas cenas fortes

Daquele mar azul duma infinidade

De águas revoltas que há fatalidade

Ao sucumbir no naufrágio da morte

 

 Começou a alugar, depois, a vender

Tal qual a luz do raio, estrela e luar

Ágeis como os piratas donos do mar

Que decidiam mudar antes da lavina

Sabendo que o mar nunca foi piscina  

Que as ondas pulavam e quebravam

Como meninos brincavam e jogavam

Desciam pra baixo e subiam pra cima

 

Poema encima figuras de linguagem

Mesmo sendo difícil iremos em frente

Ancorado na gíria que atrás vem gente

Se procrastinar há algo que empurra

Mais que um sonho senha e aventuras

Pés machucados marchamos unidos

O bem-te-vi possui o canto conhecido

A asa da ave ajuda alcançar as alturas

 

 

  • Autor: Arlindo Nogueira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de abril de 2026 23:26
  • Comentário do autor sobre o poema: Escrevi a poesia “Figuras de Linguagem”, por ser a linguagem uma forma de expressão que se distancia das regras da linguagem literal, denotativa. Ela pode assumir vários significados, como no contexto poético, onde as figuras de “palavras, pensamento, sintaxe, som ou harmonia”, não tem um rosto feito. Obviamente, se assume uma figura de linguagem, para extrapolar o sentido original da palavra ou frase. Figuras de linguagem são amplamente utilizadas em poemas, então, é preciso ficar atento nas figuras de palavras, pensamento, sintaxe, som ou harmonia. Em nosso “poema”, as figuras de linguagem aparecem do primeiro verso ao último, mescladas nas quatro estrofes. Na 1ª. estrofe, figuras de palavras, na 2ª. estrofe, figuras de pensamento, na 3ª. estrofe, figuras de sintaxe e na 4ª. estrofe figuras de som ou harmonia. Exemplo de figuras de linguagem em cada estrofe...1ª. estrofe, 1° verso: O amor é fogo que arde sem se ver (metáfora – “o amor é fogo”, será porque é destrutivo...). 2ª. Estrofe, 5° verso: São cenas não bonitas cenas fortes (litote – “cenas não bonitas”, para não dizer cenas feias). 3ª. Estrofe, 7° verso: Como meninos brincavam e jogavam (polissíndeto – “meninos brincavam e jogavam”, uso da conjunção “e”). 4ª. Estrofe, 8° verso: A asa da ave ajuda alcançar as alturas (assonância – “A asa da ave ajuda alcançar as alturas”, repetição do “a”). Boa leitura da nossa poesia, que foi escrita em um “caderno de orelhas’, olha aí a figura de linguagem de palavras “catacrese”.
  • Categoria: Conto
  • Visualizações: 7
  • Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
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Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Olá poeta! Boa noite! O autor utiliza a técnica da intertextualidade para construir o sentido: O título cita o famoso soneto de Luís de Camões, mas o corpo do texto subverte essa expectativa clássica ao trazer elementos modernos. A menção aos nenúfares de Monet e às pinturas ao ar livre estabelece uma atmosfera impressionista, onde a realidade é filtrada pela percepção e pela cor. A referência ao Titanic serve como metáfora para a perda, a saudade e a fragilidade humana diante da fatalidade e da morte. As primeiras estrofes oscilam entre a sofisticação (champanhe servido de luva) e a crueza do destino (cenas fortes, naufrágio da morte). Esse contraste sugere que a vida e o amor são feitos tanto de momentos de celebração quanto de perdas inevitáveis. Na parte final, o poema assume um tom mais metalinguístico: O autor sugere que a existência humana não é literal; somos construções feitas de histórias, gírias e sonhos. Mesmo com referências a naufrágios e machucados, a mensagem final é de persistência (marchamos unidos). A imagem da asa da ave e do canto do bem-te-vi traz uma nota de esperança e superação. O texto flerta com a liberdade formal. Há um uso curioso de pleonasmos intencionais (desciam pra baixo e subiam pra cima), que reforçam o movimento cíclico da vida ou o balanço das ondas do mar, e o uso de gírias (atrás vem gente) que ancora o poema na realidade brasileira urbana. É um poema sobre a transitoriedade. Ele usa o mar como o grande símbolo da vida: ora é um poço de bondade, ora é uma força que provoca o naufrágio da morte. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas.

    • Arlindo Nogueira

      Olá Poetisa Vilma! É só gratidão, quando leio os seus comentários sobre meus poemas. Suas palavras originarias da linguagem culta ou formal, fala com propriedade das regras gramaticais. Percebe-se que você transita por diferente fenômenos que compõem o nosso sistema linguístico. Isso fica claro na sintaxe usada, quando da estrutura dos versos, no poema "Imortal Amor Imortal", que transpõe fenômenos naturais, para sonhar com o imortal. Esse sincronismo linguístico, ainda vai além, ancora-se na morfologia e na semântica, para dar estrutura nas palavras e significados. Na 1a.estrofe do seu poema "Imortal Amor Imortal", é pragmática essa relação.
      "De cor em cor o arco-íris transpõe esse portal
      Dos nossos sonhos pueris enquanto dormimos
      Sonhemos, pois que a cada suspiro seja imortal,
      Todas as cores que nos envolve de sol e mimos".
      A riqueza subjetiva dada ao poema, envolve mimos, por exemplo, no 1° verso, o arco-íris , traz-nos a lembrança que até os momentos cinzentos da vida, podem ser momentos incríveis, coloridos. Portanto, seus poemas são mesclados de palavras inspiradoras, que podem iluminar caminhos, trazer mais cor, mais alegria e motivação no dia a dia. Parabéns! Parabéns! Parabéns!.



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