Arlindo Nogueira

FIGURAS DE LINGUAGEM

“O amor é fogo que arde sem se ver”

Tal qual fora nenúfares de Monet

Das pinturas ao ar livre ou ateliê

O champanhe era servido de luva

Se bebia se pintava o sete na curva

E no livro de orelha se lia centenas

Histórias de Saara e da quarentena

Enquanto caia o doce som da chuva

 

 Estou morrendo de tanta saudade

De alguém que viajara no Titanic

Só há Titãs da mitologia cientifica

Daquele naufrágio sem passaporte

São cenas não bonitas cenas fortes

Daquele mar um poço de bondade

Nas ondas crepitantes há fatalidade

A vida sucumbe naufrágio da morte

 

 Começou a alugar, depois, a vender

Tal qual a luz do raio, estrela e luar

Ágeis como os piratas donos do mar

Que decidiam mudar antes da lavina

Sabendo que o mar nunca foi piscina  

Que as ondas pulavam e quebravam

Como meninos brincavam e jogavam

Desciam pra baixo e subiam pra cima

 

Assim nós somos figuras de linguagem

Mesmo sendo difícil iremos em frente

Ancorado na gíria que atrás vem gente

Se procrastinar há algo que empurra

Mais que um sonho senha e aventuras

Mesmo machucado marchamos unidos

O bem-te-vi possui um canto conhecido

A asa da ave ajuda alcançar as alturas