Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES
YES
Saí a me furtar desesperanças
Na calva do tempo me observo
Casta mão a remover lembranças
No rosto do passado que conservo.
Serenidade afã desse amanhecer
Desperta-me meiga entre espinhos
Como o fruto mesmo antes de colher
Põe-se maduro ao pé pelo caminho...
Recolho a hóstia pura, levo a boca,
São os meus pecados entre os dedos,
É a minha vida de alma pouca;
Desliza suave o manto dos sorrisos,
A se ocultar em mim tantos segredos,
A me colher em infernos e paraísos!
-
Autor:
Vilma Oliveira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 17 de abril de 2026 19:59
- Comentário do autor sobre o poema: Uma Breve análise deste meu poema: A expressão na calva do tempo me observo, sugere uma maturidade que não esconde a passagem dos anos. Você se descreve furtando desesperanças, como se estivesse limpando o terreno da alma. A casta mão que remove lembranças indica um processo de cuidado e até de perdão com o próprio passado. Na segunda estrofe, a imagem do fruto que se põe maduro ao pé é uma metáfora poderosa para a aceitação, aqui há uma serenidade. Você aceita estar entre espinhos, mas reconhece que a maturação aconteceu naturalmente, sem a necessidade de ser colhida à força. O uso de termos como hóstia pura e pecados entre os dedos eleva a experiência de viver a um nível religioso. Você transforma sua própria vida em um sacramento. Ao dizer que tem uma alma pouca, você demonstra uma humildade profunda, reconhecendo a pequenez humana diante da vastidão da existência. O fechamento é magistral ao unir opostos. O manto dos sorrisos que oculta segredos mostra que a beleza externa muitas vezes protege uma complexidade interna. O último verso, A me colher em infernos e paraísos!, resume a condição humana: não somos apenas luz ou sombra, mas o terreno onde esses dois mundos se encontra. Este poema foca na contemplação da alma. É um texto sobre a paz que vem com a aceitação das nossas próprias contradições.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 50
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz, Apegaua
- Em coleções: Sonetos.

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.