Vilma Oliveira

  ROSTO DO MEU PASSADO

 Saí a me furtar desesperanças

Na calva do tempo me observo

Casta mão a remover lembranças

No rosto do passado que conservo.

           

Serenidade afã desse amanhecer

Desperta-me meiga entre espinhos

Como o fruto mesmo antes de colher

Põe-se maduro ao pé pelo caminho...

 

Recolho a hóstia pura, levo a boca,

São os meus pecados entre os dedos,

É a minha vida de alma pouca;

 

Desliza suave o manto dos sorrisos,

A se ocultar em mim tantos segredos,

A me colher em infernos e paraísos!