Saí a me furtar desesperanças
Na calva do tempo me observo
Casta mão a remover lembranças
No rosto do passado que conservo.
Serenidade afã desse amanhecer
Desperta-me meiga entre espinhos
Como o fruto mesmo antes de colher
Põe-se maduro ao pé pelo caminho...
Recolho a hóstia pura, levo a boca,
São os meus pecados entre os dedos,
É a minha vida de alma pouca;
Desliza suave o manto dos sorrisos,
A se ocultar em mim tantos segredos,
A me colher em infernos e paraísos!