A Apoteose de Alabastro

Versos Discretos

Sob o véu de uma noite tingida em nanquim,
Tua derme de alvinitente brancura cintila,
Como o mármore que o cinzel, enfim,
Esculpiu em curvas onde o desejo destila.

Teus seios, globos de polpa madura,
Exalam a fragrância de um pomar proibido,
Onde minha boca, em busca da ventura,
Sorve o néctar em um beijo incontido.

Cega pela venda, tua face se eleva,
Enquanto o tato se torna teu único guia,
Na clausura do escuro que o sentido subleva,
A alma se entrega à mais crua heresia.

E na penumbra, o falo túmido e austero,
Busca a corola de tua fenda sagrada,
Em um rito de entrega, profundo e severo,
Onde a carne se funde, em êxtase ancorada.

Penetro o âmago de tua ígnea flor,
Em cadência lenta, de força e de brio,
Enquanto a "maldição" se transmuta em favor,
Nesse oceano de luxúria, sem margem ou rio.

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Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Olá poeta! Boa noite! O uso de cores opostas — o nanquim (preto absoluto) da noite contra a alvinitente brancura da pele — cria um cenário onde o corpo é tratado como uma escultura de mármore, elevando o desejo ao status de arte. A presença da venda e da clausura do escuro isola o sentido da visão para hiper estimular o tato e o olfato. Isso cria uma entrega absoluta, onde a alma se entrega justamente porque o mundo exterior deixou de existir, restando apenas a sensação pura. O vocabulário transita entre o religioso e o naturalista (fenda sagrada, rito de entrega, heresia, ígnea flor). Essa fusão sugere que, no ápice do prazer (a luxúria), a carne deixa de ser pecaminosa (a maldição) para se tornar uma benção ou favor. O uso de termos como austero, severo e cadência lenta, confere uma solenidade ao ato. Não é uma entrega efêmera, mas um mergulho em um oceano sem margem, simbolizando a perda do controle e a fusão total entre os amantes. Saudações poéticas.



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