Versos Discretos

A Apoteose de Alabastro

Sob o véu de uma noite tingida em nanquim,
Tua derme de alvinitente brancura cintila,
Como o mármore que o cinzel, enfim,
Esculpiu em curvas onde o desejo destila.

Teus seios, globos de polpa madura,
Exalam a fragrância de um pomar proibido,
Onde minha boca, em busca da ventura,
Sorve o néctar em um beijo incontido.

Cega pela venda, tua face se eleva,
Enquanto o tato se torna teu único guia,
Na clausura do escuro que o sentido subleva,
A alma se entrega à mais crua heresia.

E na penumbra, o falo túmido e austero,
Busca a corola de tua fenda sagrada,
Em um rito de entrega, profundo e severo,
Onde a carne se funde, em êxtase ancorada.

Penetro o âmago de tua ígnea flor,
Em cadência lenta, de força e de brio,
Enquanto a \"maldição\" se transmuta em favor,
Nesse oceano de luxúria, sem margem ou rio.