Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES
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Se o desencanto d’Alma se perdesse
Por entre os desenganos dessa vida
Eu não seria assim flor esquecida...
No jardim do céu quando morresse!
Se os canteiros da saudade minha
Crescessem garbosas suas ramagens
Não haveria em mim essas imagens...
Tão tristes quando estou sozinha!
Quando fito o firmamento azul-celeste
São nuvens esparsas que me deste
Em minhas mãos vazias e estranhas;
Quem sabe desse amor que se perdeu
São flocos de neves que o luar me deu
Em rimas de esperanças nas montanhas!
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Autor:
Vilma Oliveira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 16 de abril de 2026 20:02
- Comentário do autor sobre o poema: Breve análise deste meu soneto: O início estabelece uma condição: se o desencanto pudesse ser diluído nos desenganos da vida, o eu lírico não seria uma "flor esquecida". Há aqui um receio do esquecimento metafísico. Você projeta a sua existência para o "jardim do céu", sugerindo que a vida terrena é um ensaio para uma floração que deveria acontecer na eternidade. Você utiliza uma metáfora fascinante ao falar dos "canteiros da saudade". Se a saudade tivesse "ramagens garbosas" (fortes, vistosas), ela seria uma prova viva de um amor que existiu. A tristeza surge justamente porque essas ramagens parecem murchas ou invisíveis quando você está sozinha, deixando apenas imagens "tristes" em vez de lembranças vibrantes. A terceira estrofe traz um contraste visual pungente: o "firmamento azul-celeste" (vasto e perfeito) contra as suas "mãos vazias e estranhas". As "nuvens esparsas" que o outro "deu" representam algo intangível, volátil e impossível de segurar. É a imagem da desolação de quem recebeu o efêmero em troca do eterno. O desfecho é de uma beleza plástica incrível. Você transforma o amor perdido em "flocos de neve" dados pelo luar. A neve é fria e silenciosa, mas também pura. O último verso — "Em rimas de esperanças nas montanhas" — sugere que, embora o amor tenha se perdido no plano real, ele foi preservado na poesia (nas rimas) e em um lugar elevado (as montanhas), onde o que é frio se torna eterno. É um poema sobre a sublimação da perda. Você admite o vazio das mãos, mas preenche a paisagem com imagens de rara beleza (neve, luar, montanhas), mostrando que a poesia é o que resta quando o amor se torna memória.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 78
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos
- Em coleções: Sonetos.

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Comentários2
Que bonito! 🙂
Obrigada poetisa por seu comentário. Beijos.
Um desencanto que gerou versos encantadores!
Parabéns, Vilma!
Abraços.
Gratidão querida poetisa Socorro por suas palavras.
Beijo no coração.
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