CEMITÉRIO DOS ONTENS

joaquim cesario de mello

 

Ontem enterrei o ontem:

uma frase interrompida

o gesto que não fiz

e a tarde que prometeu ficar

e não ficou

 

Ontem não resistiu à madrugada:

o silêncio mais longo

a poeira assentada nas palavras

o relógio respirando errado

 

No bolso do ontem encontrei

um bilhete sem data

e nele estava escrito

“foi quase”

 

Que a memória lhe seja justa

o ontem merece o esquecimento

que só o hoje pode conceder

 

  • Autor: joaquim cesario de mello (Offline Offline)
  • Publicado: 15 de abril de 2026 19:24
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


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