Filho de Apollo:
Observando as desgraças malditas, sussurradas pela boca de quem amo,
pelos sonhos derradeiros que me redimem em sua luz.
Nunca deixei de me adornar,
como há muito tempo não ousava,
mas, de repente, a saudade invade,
colidindo contra meus muros,
como estrondos de um tempo aprisionado.
Oh, saudade mais triste,
sem você, como meu pôr-do-sol poderá se pôr?
Onde encontrar calor e luz neste mundo,
senão em você, meu sol?
Garoto laranja, como o céu ao crepúsculo,
se é para permanecer assim,
quebro todas as leis desta terra,
deste meu Deus.
Você me chama de rebelde,
mas sabe que nas madrugadas,
é por ti que me transformo
na boa menina que sempre quis ser.
Sou eternamente filha da noite,
nunca fui a mocinha que mamãe e papai sonharam,
sempre tão fatal, não?
Olhe para mim,
sou a sacerdotisa do poeta.
Nada neste mundo, nesta vida,
poderá impedir nosso reencontro,
pois já casamos em outro tempo,
em outra vida, em séculos passados.
Nosso amor é eterno, terno como a brisa.
Casamos à beira-mar,
meu véu era a luz do luar,
a aliança, as estrelas,
tudo se torna mais belo com você,
tudo isso por causa do amor,
meu amado garoto laranja,
da cor do céu de aquarela,
onde nossos sonhos dançam,
Onde as almas dos amantes se reencontram.
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Autor:
Lhidria, a rosa rubra. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 13 de abril de 2026 20:34
- Categoria: Amor
- Visualizações: 6
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
- Em coleções: Afrodite e Apollo.

Offline)
Comentários1
Olá poetisa! Boa noite! O poema é construído sobre o contraste entre a identidade da voz lírica e a do amado: O Amado (Filho de Apollo, Garoto Laranja): Ele é o sol, o calor, a luz do crepúsculo e a redenção. Apollo, na mitologia, é o deus do sol, das artes e da profecia, o que confere ao amado uma aura de perfeição e divindade. Filha da Noite, Sacerdotisa: Ela se identifica com a sombra, a rebeldia e a noite. Há uma confissão de inadequação aos padrões familiares (nunca fui a mocinha que mamãe e papai sonharam), assumindo um papel mais místico e fatal. O amor aqui tem um poder alquímico. A rebelde se transforma em boa menina nas madrugadas por causa dele. O eu lírico está disposto a quebrar as leis da terra e de Deus para manter essa conexão, sugerindo que o sentimento está acima da moralidade comum. O poema rejeita a linearidade do tempo. O amor não é novo; é um reencontro: Já casamos em outro tempo... em séculos passados. O uso de elementos cósmicos para descrever o casamento (véu de luar, alianças de estrelas) eleva a união de um plano terreno para um plano espiritual e eterno. O mar e o céu de aquarela servem como o cenário atemporal onde essas almas dançam. Apesar da beleza da união, o poema começa e transita por tons de dor (desgraças malditas, muros, estrondos de um tempo aprisionado). A saudade é descrita como uma força física que colide contra o ser, mostrando que a ausência do sol torna o mundo frio e sem direção. A linguagem é romântica e simbólica, com forte uso de cores (laranja, dourado do sol, prata do luar) para criar uma atmosfera onírica. A figura da sacerdotisa do poeta sugere que o amor é também uma forma de ritual e inspiração artística. Conclusão: É um poema sobre a complementaridade dos opostos (Sol e Noite) e a crença de que certas conexões são predestinadas e indestrutíveis, mesmo diante das desgraças do mundo real. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas.
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