Filho de Apollo:
Observando as desgraças malditas, sussurradas pela boca de quem amo,
pelos sonhos derradeiros que me redimem em sua luz.
Nunca deixei de me adornar,
como há muito tempo não ousava,
mas, de repente, a saudade invade,
colidindo contra meus muros,
como estrondos de um tempo aprisionado.
Oh, saudade mais triste,
sem você, como meu pôr-do-sol poderá se pôr?
Onde encontrar calor e luz neste mundo,
senão em você, meu sol?
Garoto laranja, como o céu ao crepúsculo,
se é para permanecer assim,
quebro todas as leis desta terra,
deste meu Deus.
Você me chama de rebelde,
mas sabe que nas madrugadas,
é por ti que me transformo
na boa menina que sempre quis ser.
Sou eternamente filha da noite,
nunca fui a mocinha que mamãe e papai sonharam,
sempre tão fatal, não?
Olhe para mim,
sou a sacerdotisa do poeta.
Nada neste mundo, nesta vida,
poderá impedir nosso reencontro,
pois já casamos em outro tempo,
em outra vida, em séculos passados.
Nosso amor é eterno, terno como a brisa.
Casamos à beira-mar,
meu véu era a luz do luar,
a aliança, as estrelas,
tudo se torna mais belo com você,
tudo isso por causa do amor,
meu amado garoto laranja,
da cor do céu de aquarela,
onde nossos sonhos dançam,
Onde as almas dos amantes se reencontram.