Penhorei minha alma

Poesia Abandonada

Tentei vender meu espírito no mercado popular, Mas o diabo, num suspiro, não quis nem avaliar. "A alma é de poeta?", ele perguntou com desdém, "Dessas eu já tenho um monte, e não valem um vintém!"

Fui então na Caixa Econômica, com a senha na mão, Levei o meu "eu" eterno num pote de requeijão. O gerente olhou o brilho, meio turvo e sem vigor: "Aceito joia e relógio, mas não esse seu fervor."

"Mas veja!", eu disse aflito, "é uma alma de primeira, Tem pouquíssimo pecado e nunca foi pra baladeira!" Ele ajustou os óculos, fez um cálculo no papel: "A cotação tá baixa, amigo... nem paga o aluguel."

Minha essência metafísica virou garantia de nada, Fui barrado no penhor com a alma desvalorizada. O jeito é guardar no peito, pois a crise tá medonha: Até pra vender a alma, a gente passa vergonha!

  • Autor: Poesia Abandonada (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de abril de 2026 17:33
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 11
Comentários +

Comentários2

  • Rosangela Rodrigues de Oliveira

    Seu poema disse tudo poeta, penhorar ou vender a alma não se tem valor algum é como o mar gosta de quem não sabe nadar pois o nadador já é dele. Boa noite.

  • O rei

    Ou seja, não venda a alma... O.O



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