Tentei vender meu espírito no mercado popular, Mas o diabo, num suspiro, não quis nem avaliar. "A alma é de poeta?", ele perguntou com desdém, "Dessas eu já tenho um monte, e não valem um vintém!"
Fui então na Caixa Econômica, com a senha na mão, Levei o meu "eu" eterno num pote de requeijão. O gerente olhou o brilho, meio turvo e sem vigor: "Aceito joia e relógio, mas não esse seu fervor."
"Mas veja!", eu disse aflito, "é uma alma de primeira, Tem pouquíssimo pecado e nunca foi pra baladeira!" Ele ajustou os óculos, fez um cálculo no papel: "A cotação tá baixa, amigo... nem paga o aluguel."
Minha essência metafísica virou garantia de nada, Fui barrado no penhor com a alma desvalorizada. O jeito é guardar no peito, pois a crise tá medonha: Até pra vender a alma, a gente passa vergonha!
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Autor:
Poesia Abandonada (
Offline) - Publicado: 12 de abril de 2026 17:33
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 31
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino

Offline)
Comentários3
Seu poema disse tudo poeta, penhorar ou vender a alma não se tem valor algum é como o mar gosta de quem não sabe nadar pois o nadador já é dele. Boa noite.
Ou seja, não venda a alma... O.O
Vixe!!! Profunda crítica ao ser humano no capitalismo, muitas vezes nem alma tem valor, um cão tem mais valor, uma desumanização do humano, descrebilidade do valor humano, vale mais quem tem mais, infelizmente é assim e sempre foi e será, as aparências diz muito quem é a pessoa, o modo de vestir, de falar, de se comportar, enfim as leituras que fazemos e recebemos impõe valores! Os Direitos Humanos apresentam valores para dignidade humana e nem sempre é respeitada: todos têm direito: a vida, alimentação, saúde, educação, moradia e lazer, mas sabemos que nem sempre isso acontece, aí é preciso penhorar o que tem de valor, a integridade humana passa por desdém.
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