Tentei vender meu espírito no mercado popular, Mas o diabo, num suspiro, não quis nem avaliar. \"A alma é de poeta?\", ele perguntou com desdém, \"Dessas eu já tenho um monte, e não valem um vintém!\"
Fui então na Caixa Econômica, com a senha na mão, Levei o meu \"eu\" eterno num pote de requeijão. O gerente olhou o brilho, meio turvo e sem vigor: \"Aceito joia e relógio, mas não esse seu fervor.\"
\"Mas veja!\", eu disse aflito, \"é uma alma de primeira, Tem pouquíssimo pecado e nunca foi pra baladeira!\" Ele ajustou os óculos, fez um cálculo no papel: \"A cotação tá baixa, amigo... nem paga o aluguel.\"
Minha essência metafísica virou garantia de nada, Fui barrado no penhor com a alma desvalorizada. O jeito é guardar no peito, pois a crise tá medonha: Até pra vender a alma, a gente passa vergonha!