Não é o real que existe, mas o que vemos
Mundo moldado pelo olhar, sombra e reflexo
A pedra só é pedra se o nome damos
E o rio só corre quando o verso o inventa
Real não é matéria, é representação
Tecido que a mente borda, linha por linha
O céu não é azul sem a pupila aberta
E a dor só é dor quando a alma a traduz
O que chamamos de verdade, é moldura
Quadro pintado com as tintas do desejo
Cada homem ergue o mundo que concebe
E nele habita, só, prisioneiro e rei
Assim, o real se curva à percepção
Não há objeto sem sujeito que o sonha
Existir é ser visto, e ser visto é criar
Mundo é espelho do olho que o decifra
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 12 de abril de 2026 11:02
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 40
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Vilma Oliveira

Offline)
Comentários2
Fez-me lembrar o livro O Caibalion: "O Universo é Mental" e sua poesia é a prova de que o olho que vê é o mesmo que cria. Parabéns, poeta!
Obrigado pela leitura e referência do livro, irei procurá-lo para ler! Não o conheço! O seu comentário é importante para novas reflexões poéticas ou poéticas filosóficas!!!
Valeu poeta pelas considerações!!!
Olá poeta! Boa noite! O texto defende que a existência das coisas depende da percepção humana: Existir é ser visto. Para o eu lírico, o objeto (a pedra, o rio, o céu) não tem significado ou existência real sem um sujeito que o nomeie, sinta ou observe. O poema destaca o poder do verbo e da arte: A pedra só é pedra se o nome damos. O rio só corre quando o verso o inventa. Aqui, a palavra não apenas descreve o mundo, ela o funda. Sem a linguagem e a interpretação, a realidade seria uma matéria bruta e sem sentido. O real é descrito como um tecido que a mente borda. Isso sugere que o que chamamos de verdade é, na verdade, uma interpretação moldada pelos nossos desejos, sentidos (a pupila aberta) e sentimentos (a alma). O mundo deixa de ser um fato para se tornar uma moldura. A estrofe que diz que cada homem é prisioneiro e rei do mundo que concebe é poderosa: Rei: Porque somos os criadores da nossa própria realidade. Prisioneiro: Porque estamos limitados à nossa própria percepção, incapazes de ver o real além do nosso próprio olhar (o espelho).
O tom é ensaístico e reflexivo, utilizando metáforas visuais (moldura, quadro, tintas, espelho) para reforçar a ideia de que a realidade é uma imagem processada pelo olho que a decifra. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas.
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