Não é o real que existe, mas o que vemos
Mundo moldado pelo olhar, sombra e reflexo
A pedra só é pedra se o nome damos
E o rio só corre quando o verso o inventa
Real não é matéria, é representação
Tecido que a mente borda, linha por linha
O céu não é azul sem a pupila aberta
E a dor só é dor quando a alma a traduz
O que chamamos de verdade, é moldura
Quadro pintado com as tintas do desejo
Cada homem ergue o mundo que concebe
E nele habita, só, prisioneiro e rei
Assim, o real se curva à percepção
Não há objeto sem sujeito que o sonha
Existir é ser visto, e ser visto é criar
Mundo é espelho do olho que o decifra