Quem você pensa que é?

Francisco Queiroz

Nada talvez, eu só brinco de poeta,

na verdade eu sou qualquer coisa,

mas, nem isso nem aquilo,

nada dura muito,

apenas por aí,

chutando latas,

falando mentiras,

catando mangas,

contrariando colegas,

vendedor de sorte no azar,

sendo esotérico no concreto

e cético com milagres.

Eu sou qualquer coisa,

de vez em quando, poeta,

sem ser letrado, importante;

escrevo sem cadeira numerada.

Rabiscos saem do tédio das filas,

no ócio em banco de praças,

na cama insone, acordado por números...

 

E penso ser menino travesso,

daqueles que ainda

brincam descalços na rua,

mesmo que a mãe logo

ponha para dentro

para fazer as tarefas.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Online Online)
  • Publicado: 12 de abril de 2026 10:52
  • Comentário do autor sobre o poema: Como viver sem se perder, nem no mundo, nem em si mesmo?
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino
  • Em coleções: Silêncios, Urbano.
Comentários +

Comentários1

  • Sinvaldo de Souza Gino

    Nossa que massa! Lembrei de quando eu era criança que fazia de tudo um pouco, inventava brincadeiras, criava ilusões mentais, criava histórias em pensamento, vivia no mundo do imaginário, as vezes nas brincadeiras tentava colocar em prática partes das minhas imaginações. Eu seria um Dom Quixote nas maluquices... O seu poema dispertou memórias de outroras vividas nos devaneios das utopias malucas que me formaste! Por isso, curti e favoritei o seu poema naturalista!

    • Francisco Queiroz

      Que legal, meu caro amigo! Despertar boas lembranças é uma das razões pelas quais escrevo, muitas das poesias e reflexões vêm desses tempos de infância. Gosto muito do Dom Quixote: "Mudar o mundo, meu caro Sancho, não é loucura nem utopia, mas sim justiça". É ótimo! Obrigado pelo carinho de sempre, um abraço fraterno!



    Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.