Francisco Queiroz

Quem você pensa que é?

Nada talvez, eu só brinco de poeta,

na verdade eu sou qualquer coisa,

mas, nem isso nem aquilo,

nada dura muito,

apenas por aí,

chutando latas,

falando mentiras,

catando mangas,

contrariando colegas,

vendedor de sorte no azar,

sendo esotérico no concreto

e cético com milagres.

Eu sou qualquer coisa,

de vez em quando, poeta,

sem ser letrado, importante;

escrevo sem cadeira numerada.

Rabiscos saem do tédio das filas,

no ócio em banco de praças,

na cama insone, acordado por números...

 

E penso ser menino travesso,

daqueles que ainda

brincam descalços na rua,

mesmo que a mãe logo

ponha para dentro

para fazer as tarefas.