O Poeta Invisível

Alef Bitecourt

O poeta morreu aos quarenta e seis anos.
Num sábado ensolarado, de música alta e risadas etílicas.
Ninguém percebeu a sua dor.
Ninguém jamais o percebeu.

No bolso, apenas uma caneta
e alguns versos rasurados.

Pedaços de pão seco
e um cálice de vinho barato
sobre a velha mesa
enfeitavam o ambiente.

Na parede,
um quadro de Van Gogh
chorava sua solidão.

Flores murchas,
num vaso pintado a óleo,
não exalavam perfume —
exalavam tristeza.

No vai e vem da vida,
ninguém o viu.
Ninguém o leu.

O poeta morreu
debruçado sobre a própria poesia,
asfixiado pelas próprias palavras —

num maldito ponto final.


                                                                                                                                                                                                        Maestrine

  • Autor: Alef Bitencourt (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de abril de 2026 02:17
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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