O poeta morreu aos quarenta e seis anos.
Num sábado ensolarado, de música alta e risadas etílicas.
Ninguém percebeu a sua dor.
Ninguém jamais o percebeu.
No bolso, apenas uma caneta
e alguns versos rasurados.
Pedaços de pão seco
e um cálice de vinho barato
sobre a velha mesa
enfeitavam o ambiente.
Na parede,
um quadro de Van Gogh
chorava sua solidão.
Flores murchas,
num vaso pintado a óleo,
não exalavam perfume —
exalavam tristeza.
No vai e vem da vida,
ninguém o viu.
Ninguém o leu.
O poeta morreu
debruçado sobre a própria poesia,
asfixiado pelas próprias palavras —
num maldito ponto final.
Maestrine