DEIXEM VIR AS DORES!

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

Deixem que venham todas as dores!

Em urna de bronze, esse estranho mal,

Poentes de nácar são como as flores

Em trêmulas hastes, dessa luz irreal!

 

Deixem que venham todos os sonhos

Nos teus olhos de ouro, o meu solar...

Nos teus palácios, pobres e tristonhos,

Os meus brilhantes são contas a chorar!

 

Em fogueiras de cinzas, deito o fulgor,

Das horas divinais do nosso amor,

Nobres cortejos de gestos recolhidos;

 

Nesse Sacrário de Almas penitentes,

O encontro triste das paixões ardentes,

Alteia e doira o meu olhar perdido!

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 11 de abril de 2026 19:52
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise deste meu soneto: Ao colocar o "estranho mal" em uma urna de bronze, você confere ao sofrimento uma dignidade clássica e duradoura. Os "poentes de nácar" e a "luz irreal" criam uma atmosfera de sonho (ou pesadelo) refinado, onde a dor deixa de ser um sentimento vulgar para se tornar uma visão estética superior. Você constrói uma antítese belíssima: nos olhos "de ouro" do amado, o eu lírico vê o seu sol, mas os palácios dele são "pobres e tristonhos". O mais marcante aqui é a imagem dos "brilhantes que são contas a chorar". Novamente, você transforma lágrimas em joias, sugerindo que a sua riqueza vem da intensidade do seu pranto. No primeiro terceto, o amor é tratado como uma memória ritualística. As "fogueiras de cinzas" indicam algo que já ardeu intensamente e agora repousa. Os "nobres cortejos de gestos recolhidos" dão ao poema um ritmo de procissão, onde o amor não é barulhento, mas uma cerimônia silenciosa e sagrada. O desfecho leva o poema para dentro de um "Sacrário de Almas penitentes". O amor aqui é uma "paixão ardente" que encontra a tristeza, mas esse encontro não apaga o olhar; pelo contrário, ele "alteia e doira". Isso significa que o sofrimento eleva o eu lírico, dando-lhe uma aura de nobreza e brilho ("doira"), mesmo que o olhar continue "perdido". É um poema de transcendência pelo sofrimento. Você utiliza um vocabulário luxuoso (bronze, nácar, ouro, brilhantes, fogueiras) para descrever um estado de renúncia e melancolia, provando que a alma do poeta encontra sua maior "nobreza" justamente no ápice da sua dor.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 42
  • Em coleções: Sonetos.
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