Vilma Oliveira

DEIXEM VIR AS DORES!

Deixem que venham todas as dores!

Em urna de bronze, esse estranho mal,

Poentes de nácar são como as flores

Em trêmulas hastes, dessa luz irreal!

 

Deixem que venham todos os sonhos

Nos teus olhos de ouro, o meu solar...

Nos teus palácios, pobres e tristonhos,

Os meus brilhantes são contas a chorar!

 

Em fogueiras de cinzas, deito o fulgor,

Das horas divinais do nosso amor,

Nobres cortejos de gestos recolhidos;

 

Nesse Sacrário de Almas penitentes,

O encontro triste das paixões ardentes,

Alteia e doira o meu olhar perdido!