No século passado,
quando o tempo ainda caminhava a cavalo
e o vento carregava cartas não ditas,
havia amor nas fronteiras do oeste.
A terra era áspera,
como mãos calejadas de despedida,
e o céu, imenso, guardava promessas
que nunca aprenderam a voltar.
Ela colhia rosas entre espinhos,
como quem insiste em amar
mesmo sabendo da dor escondida
em cada toque de pétala.
Ele partia ao amanhecer,
com o sol queimando nos olhos
e o coração preso
no silêncio do seu nome.
Entre poeira e saudade,
os dias eram longos demais,
e as noites, profundas
como segredos enterrados na alma.
Havia guerras que não estavam nos mapas,
mas dentro do peito,
onde o amor lutava
contra o destino já escrito.
E no último encontro,
à beira de uma estrada esquecida,
não houve promessas —
apenas o peso do instante.
Seus lábios se tocaram
como quem sabe: é o fim.
Um beijo lento,
carregado de tudo o que não viveriam.
As rosas ficaram para trás,
presas nos espinhos do tempo,
guardando o perfume
de um amor que não sobreviveu à distância.
E o vento, até hoje,
quando passa pelas velhas fronteiras,
sussurra aquele último beijo
que nunca deixou de existir.
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Autor:
Jullyne and Jully (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de abril de 2026 19:30
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
- Em coleções: POESIAS D\'Mundo.

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