julianahoffmannliska

Rosas em Espinhos — Fronteiras do Oeste

No século passado,
quando o tempo ainda caminhava a cavalo
e o vento carregava cartas não ditas,
havia amor nas fronteiras do oeste.

A terra era áspera,
como mãos calejadas de despedida,
e o céu, imenso, guardava promessas
que nunca aprenderam a voltar.

Ela colhia rosas entre espinhos,
como quem insiste em amar
mesmo sabendo da dor escondida
em cada toque de pétala.

Ele partia ao amanhecer,
com o sol queimando nos olhos
e o coração preso
no silêncio do seu nome.

Entre poeira e saudade,
os dias eram longos demais,
e as noites, profundas
como segredos enterrados na alma.

Havia guerras que não estavam nos mapas,
mas dentro do peito,
onde o amor lutava
contra o destino já escrito.

E no último encontro,
à beira de uma estrada esquecida,
não houve promessas —
apenas o peso do instante.

Seus lábios se tocaram
como quem sabe: é o fim.
Um beijo lento,
carregado de tudo o que não viveriam.

As rosas ficaram para trás,
presas nos espinhos do tempo,
guardando o perfume
de um amor que não sobreviveu à distância.

E o vento, até hoje,
quando passa pelas velhas fronteiras,
sussurra aquele último beijo
que nunca deixou de existir.