Versos ao 12 de Junho

Tayná

Na praça singela, num barco esquecido,

Sentei-me a observar o amor repartido.

Casais entrelaçados, num doce vaivém,

como se o mundo só girasse apenas por quem tem alguém.

 

Um riso trocado, um toque de mão,

promessas sussurradas em plena estação.

E eu, qual barca sem vela, num mar tão sereno,

aguardei, em silêncio, o sopro do pleno.

 

Não, não lamento minha ausência de par,

pois há beleza até mesmo em só observar.

Mas trago comigo um verso guardado,

um nome sem rosto, um destino adiado.

 

Quem sabe, no próximo doze de junho, 

meu nome repouse na curva de um punho.

Num bilhete singelo, num gesto gentil,

no olhar de alguém que me chame: "meu abril".

  • Autor: Tayná (Offline Offline)
  • Publicado: 11 de abril de 2026 18:15
  • Comentário do autor sobre o poema: Escrever esse poema é como sentar em silêncio dentro de si mesmo e aceitar o que se sente sem pressa de mudar. É observar o amor nos outros sem amargura, mas também sem negar aquele pequeno vazio que às vezes aparece — não como dor intensa, mas como ausência delicada. Nós, autoras e autores, colocamos nesses versos aquilo que nem sempre dizemos em voz alta: a espera tranquila, o desejo contido, a esperança que não faz barulho, mas continua ali. É sobre entender que estar só não é estar incompleto, e ainda assim guardar um espaço bonito para quando alguém chegar. Esse poema nasce desse equilíbrio raro — entre a paz de estar consigo e a vontade silenciosa de compartilhar o mundo com alguém. É menos sobre solidão… e mais sobre um coração que sabe esperar, sem deixar de sonhar.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 1


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