#A Dança dos Dias Imperfeitos
?
Claudio Gia, Macau, RN 11 de abril de 2026
?No tremor silente de um neurônio,
a consciência desfia seu novelo —
Parkinson tece o lento desafio
entre o gesto que falta e o que é belo.
?Ao lado, o infectologista mira
o invisível que pulsa e se dissemina:
vírus, bactérias, febre e teoria —
a ciência armada contra a ruína.
?E a escola de samba desfila no ar
com sua poesia de couro e lona,
pois o carnaval é um vírus a cantar
na avenida que o tempo não perdoa.
?O prefeito, em seu gabinete de espelhos,
calcula a ponte, o posto, a luz ausente,
sabendo que governar é ter nos olhos
a febre, o samba e o tremor da gente.
?Mas há um sopro novo no horizonte,
o Parkinson espera a cura que já vem chegando; a ciência, enfim, atravessa a ponte
e o amanhã já se vai desenhando.
?O prefeito não pode deixar faltar o remédio que traz a paz ao paciente; é dever do Estado o zelo e o cuidar,
mantendo viva a esperança doente.
?E o santo, que morreu por uma ideia,
assiste a tudo do seu vitral frio:
o mundo é uma coreografia alheia
onde o sagrado dança com o vazio.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de abril de 2026 14:15
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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