Sou a Julia dessa terra
Sou uma ilha na esfera
Sou tal um cacho da uva
Sou lavina lá na curva
Há polvilhar suas águas
Tal qual suas lágrimas
Cumulonimbus de chuva
Sou bico do beija flor
Na antera daquela flor
Sob galhos da Figueira
Repousa as asas ligeiras
Evola da flor perfumes
Emerge fugidio ciúme
Na haste duma cimeira
Sou o berbigão da lagoa
Missal de Cruz e Souza
Sou manezinha que agita
No sambaqui que crepita
Sou o vento Sul que puxa
História de mago e bruxa
Na orla do mar de Floripa
Sou Julia de passaporte
Leste Oeste Sul e Norte
Florianópolis da energia
Lagosta, ostras e tainha
Sob a Ponte Hercílio Luz
Mirante Morro da Cruz
Eu sou a Ilha da Magia
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Autor:
Arlindo Nogueira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de abril de 2026 17:23
- Comentário do autor sobre o poema: Escrevi a Poesia “JULIA DE FLORIPA”, por morar em Florianópolis e conhecer sua história e suas magias. Por exemplo: Ilha da Magia foi um apelido dado à cidade, não somente em razão das inúmeras belezas naturais (que realmente parecem até magia do universo). A beleza da cidade e a geografia marítima da sua localização, seu misticismo, suas lendas e seu contexto histórico. Florianópolis inicialmente foi chamada de Ilha das Bruxas, baseada nas histórias contadas pelos açorianos que povoaram a ilha e, diziam que mesmo antes deles chegarem já havia habitantes por aqui, ou seja, as bruxas! Por conseguinte, a cidade teve seu início em 23.03.1726, quando recebeu o nome de Nossa Senhora do Desterro. Durante seu crescimento, há vários símbolos que marcam Florianópolis, por exemplo: a Figueira centenária, na Praça XV de novembro, no centro da cidade, desde 1871. Os livros poéticos de Franklin Cascaes, pesquisador e escritor, referência da cultura açoriana. Igualmente, os Broquéis e Missal de Crus e Souza, cujo seu nome foi dado ao Museu Histórico de Santa Catarina, desde 1986. A Ponte Hercílio Luz, uma das maiores pontes pênseis do mundo, ela foi a primeira ligação entre a Ilha e o continente, teve sua construção iniciada em 14 de novembro de 1922 e foi inaugurada a 13 de maio de 1926. Seu comprimento total é de 819,471 m, com 259 m de viaduto insular, 339,471 m de vão central e 221 m de viaduto continental. Ainda na nossa poesia fala-se do Morro da Cruz, tradicional ponto turístico, onde se encontra os maiores veículos de comunicação do Estado. Isso e muito mais é nossa Floripa, como é carinhosamente chamada por nós manezinhos e pelos turistas. Além de ser essa cidade encantadora, pelas suas diversas praias, muitos visitantes não voltam para casa e acabam escolhendo esse paraíso para morar. Florianópolis é, além da Capital de Santa Catarina, uma cidade moderna com excelente infraestrutura de lazer e turismo. Boa leitura da nossa poesia a todos.
- Categoria: Amor
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- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira

Offline)
Comentários2
Olá poeta! Boa noite! Este poema é um manifesto de identidade e pertencimento. Julia não apenas mora em Florianópolis; ela é a própria geografia, fauna e cultura da Ilha da Magia. O poema usa metáforas orgânicas potentes. Julia se define como cacho de uva, bico de beija-flor e até fenômeno meteorológico (Cumulonimbus). Ela é um elemento vivo da paisagem. A letra é um mergulho nas raízes locais. Ao citar o berbigão, o Sambaqui, o Vento Sul e a gastronomia (tainha e ostra), o texto valida uma identidade cultural muito específica e resistente. A menção a Cruz e Sousa (o Cisne Negro do Simbolismo, nascido em Desterro) e às histórias de magos e bruxas (referência ao folclore de Franklin Cascaes) eleva a personagem de uma simples moradora a uma herdeira da mística da ilha. O encerramento com a Ponte Hercílio Luz e o Morro da Cruz funciona como uma assinatura geográfica, consolidando Julia como o próprio passaporte da cidade. É um texto vibrante que transforma o mapa de Floripa em um corpo humano. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas. (Eu já morei em Floripa, atualmente resido em Blumenau)
Olá Poetisa Vilma de Oliveira! Que lindas palavras sobre o Poema Julia de Floripa, gratidão a você e sua sensibilidade poética. Essa reflexão que fizeste refere-se ao seu mundo interno e às percepções individuais, algo subjetivo e intrincico, que só se desenvolve por meio de experiências, interações e influências culturais ao longo da vida. Meus aplausos em pé à você. A sua subjetividade aparece nos seus poemas, pois, estive lendo algumas obras suas, e destaco, entre as favoritas o Poema "Estrela Guia", principalmente na última estrofe, onde você emerge o seu "eu lírico", caracterizando lindamente como recurso literário em suas expressões poéticas. Com sua permissão, reacendo essa última estrofe do poema "Estrela Guia" o qual é meu Favorito.
*Nessa estrela haveremos de imortalizar*
*Nosso sonho profético inefável poema!*
*Com asas esvoaçantes planar nos céus*
*Como se fôssemos luzes fosforescentes*
*A iluminar a imensidão desse universo...*
*Coroando o amor que nasceu reluzente!*
Parabéns!
Seus poemas são belos e com um hitórico de magia... Amei passar por aqui... Gratidão pela partilha!
Olá Poetisa Neiva! Obrigado pelo seu comentário, seu carinho e sensibilidade poética. Seus poemas também são dignos de aplausos, como "O retalio e a linha", poema que exterioriza o tipo "mecanorreceptores sensoriais", que estimula o poeta sentir uma metáfora em sinais tateáveis. Isso se constata já na primeira estrofe do seu poema:
*O retalho e a linha da vida*
*Se refaz todos os dias*
*A linha cria estradas
como labirintos*
*Na passarela da existência*
Parabéns e Gratidão!
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